Dióxido de Cloro

Halitose Conteporanea

Entrevista com o Dr. Francisco José Salfer do Amaral (Consultor científico - Halitfree)

Apresentação: Dr. Francisco é médico graduado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com títulos em Gastroenterologia - Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Endoscopia Digestiva – Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Concluiu a especialidade em Halitose – reconhecida pelo MEC em 2006 – Faculdade São Leopoldo Mandic (Campinas-SP). Membro da Associação Brasileira de Pesquisa dos Odores da Boca (ABPO). Em novembro de 2006 foi premiado na Semana Brasileira do Aparelho Digestivo em São Paulo com o prêmio Nacional de Gastroenterologia com o trabalho “Estudo da correlação entre pacientes dispépticos portadores de Helicobacter pylori na mucosa gástrica e Componentes Sulfurados Voláteis”.

Introdução

O mau hálito tem afligido o ser humano desde que este começou a viver em sociedade. A maioria das vezes o portador não tem consciência da existência deste problema, ocorrendo a “fadiga olfatória” e a conseqüente adaptação ao mau odor. A exclusão social é a conseqüência natural.

A halitose é um tabu tanto para quem a possui, quanto para os profissionais que são procurados para resolvê-la. A crença da halitose causada por problemas gástricos ainda predomina até para dentistas e médicos. Atualmente sabemos que mais de 95% de suas causas são de origem bucal e a saburra lingual a sua representante máxima.

Então, os produtos bucais do tipo enxaguatórios vêm ganhando um grande espaço na tentativa de resolver o problema. É importante salientar que grande parte destes produtos bucais não funcionam contra a halitose e também podem agravar o problema, pois contém álcool em sua formulação, o que desidrata a mucosa da boca aumentando o mau hálito.

O enxaguatório com dióxido de cloro (Halitfree) tem sido considerado o maior avanço no tratamento do mau hálito dos últimos tempos. A saburra lingual sofre a ação putrefativa de bactérias. Sua ação revolucionária atua removendo a placa bacteriana da língua e oxigenando a mesma, eliminando as bactérias causadoras do mau hálito, mas sem modificar a flora bucal normal. E, por não conter álcool e nem corante na sua formulação, torna-o o mais evoluído dos enxaguatórios, sendo recomendado mundialmente e reconhecido como um dos poucos produtos cientificamente comprovados que auxiliam na cura do mau hálito, auxiliando também na prevenção do tratamento da doença periodontal e placa dental.

Fale-nos sobre a sua experiência no tema halitose!

Dr. Francisco – Este assunto polêmico chamou-me a atenção pelas minhas dificuldades em abordar “tal queixa” com meus pacientes. Confesso que esse problema me constrangia muito. Ao receber os pacientes de outros profissionais médicos e dentistas tinha que resolvê-lo, mas sabemos que não há no ensino médico e odontológico cadeira específica sobre o assunto. Então decidi pesquisar e estudar halitose. Hoje estou gratificado com os resultados e consigo dar aos meus pacientes o resultado que esperam. Mas, sendo a halitose um problema multidisciplinar é claro que temos de ter suporte de profissionais de odontologia e otorrinolaringologistas.

Os pacientes portadores deste mal estão excluídos ou se excluíram socialmente. Possuem um grande problema psicológico. Muitos fogem do tratamento e tem vergonha de nos falar sobre o problema. Um dos grandes desafios que enfrentamos é convencê-los que esse não será mais um desastroso tratamento, e sim através de meios científicos conseguiremos resolver o seu problema. Eles estão cansados de tentar tratar e com os sucessivos insucessos terminam usando paliativos em balcões de farmácias, os chamados mascaradores do hálito.

A halitose tem cura?

Dr. Francisco – Para sua prevenção a higiene bucal é o fator principal. A higiene lingual com o raspador, a ação preventiva da odontologia é fundamental. A indicação da associação do dióxido de cloro como agente preventivo do mau hálito já é consagrado e rotina em muitos países. Além disso é indispensável no seu tratamento.

Se caso associarmos a raspagem lingual com bochechos de dióxido de cloro e em pacientes xerostômicos, o sialogogo mecânico e/ou tátil, conseguiremos o controle e cura da grande maioria do mau hálito.

E sobre o Dióxido de Cloro?

Dr. Francisco – O dióxido de cloro pertence à família dos compostos clorados conhecido desde o século XIX. Devido as suas propriedades bactericidas inicialmente foi usado nos Estados Unidos como desinfetante e posteriormente devido a sua segurança como purificador de água para populações.

Como podemos observar o seu uso atravessa os séculos e as suas indicações não param de aumentar, é seguro e não tóxico e o seu uso se estendeu à indústria alimentícia.

O potencial germicida levou o governo americano a usá-lo em 2001 para desinfectar o edifício do senado de Washington DC e as correspondências contaminadas pelo Antrax. Atualmente é uma das drogas usadas contra o bioterrorismo no mundo comprovando sua eficácia secular. Na catástrofe do furacão Katrina em New Orleans, o gás de dióxido de cloro foi usado para esterilizar toda a cidade. Através de uma técnica de fumigação os edifícios e residências foram esterilizados, não deixando efeitos tóxicos residuais e sem causar reações alérgicas. Em 2005 sua indicação também foi aceita como fungicida nos Estados Unidos.

A sua ação é biológica, não sendo antibiótico, portanto não causando resistência bacteriana e nem alterando a microbiota natural.

A indicação como agente para uso bucal vem sendo pesquisada desde o inicio dos anos 90, mas foi no início deste século que ganhou a confiabilidade dos pesquisadores. E se avolumam os trabalhos científicos que comprovam sua ação biológica sobre as bactérias principalmente anaeróbicas proteolíticas da cavidade oral, principalmente da saburra lingual produtoras dos Compostos Sulfurados Voláteis (CSV) causadoras do mau hálito. O seguimento através de aparelhos como Halimeter e mais recentes espectrofotômetros gasosos demonstram sua ação sobre a geração destes gases da halitose e o seu completo controle.

E como age o Dióxido de Cloro como enxaguante bucal no tratamento da halitose?

Dr. Francisco – Como falei, sua ação é biológica. Isso representa uma ação “ecologicamente correta” no micro ambiente bucal. Inicialmente gostaria de alertar que o dióxido de cloro não tem nada a ver com ação do cloro, temos de separar essa tendência que por haver o elemento cloro, seja ele o elemento ativo.

Na formulação do Halitfree a ação do cetilpiridínio, agente catiônico, atua desnaturando as proteínas e conseqüentemente agindo sobre o substrato bacteriano, favorecendo a penetração em camadas profundas da saburra e das papilas linguais. Sobre a saburra se dá uma reação de oxiredução havendo a liberação do oxigênio e conseqüente oxidação dos microorganismos anaeróbicos, preservando o sistema aeróbico bucal. A ação também se faz com ação redox sobre os compostos de enxofre que estão distribuídos nos tecidos bucais, anulando os CSV por até 8 horas. Então, podemos afirmar que os bochechos garantem até 8 horas de baixos níveis de Compostos Sulfurados Voláteis.

Nas línguas pilosas, com grande capacidade de adesão do substrato protéico também consegue-se resultados eficazes, associando a raspagem lingual. O uso contínuo do raspador lingual é indicado para a prevenção do mau hálito.

Falando-se em uso contínuo, ele é seguro e se deglutido acidentalmente não causará problemas. E como não há álcool em sua formulação pode ser usado por todas as idades, desde crianças. Não havendo alterações do sistema da microbiota bucal o seu uso pode ser indiscriminado. Também não há relatos de manchas dentais. Os diabéticos podem usar pois sua fórmula não contém açúcar. E como sabemos, os diabéticos possuem halitose na maioria das vezes por desenvolverem xerostomia.

Quais outras indicações do uso do enxaguante com Dióxido de Cloro?

Dr. Francisco – Além da ação sobre a principal causa do hálito, a saburra lingual, também sua ação se dá como coadjuvante no tratamento da doença periodontal. Com a utilização de aparelhos com jato d’água consegue-se injetar entre a gengiva e dentes (bolsa periodontal).

Outra indicação é para os “cáseos” amigdalianos. A instilação através de jatos em spray ou por embrocadura se consegue removê-los e diminuir as indicações cirúrgicas. Na rinorréia nasal posterior tem-se usado através da inalação.

Mais alguma consideração?

Dr. Francisco – Nós profissionais, envolvidos na tarefa de tratar a halitose enfrentamos um desafio constante de dar o suporte a pacientes que nos procuram desacreditados e com graves problemas psicológicos. É nossa obrigação com os recentes conhecimentos científicos reconhecermos não só os problemas fisiopatológicos que os levaram ao mau hálito, mas dar o suporte psicológico para reintegrá-lo novamente ao convívio social.

O esclarecimento público através da mídia faz com que chegue ao conhecimento do portador da halitose que o seu problema tem solução. Aos que convivem com os maus odores (parentes, amigos, cônjuges, colegas de trabalho), sejam honestos e comuniquem à eles que há solução para o seu problema. Muitas vezes estes nem percebem que tem halitose devido a fadiga olfatória produzida por esses gases que são extremamente tóxicos. Não os evite, ajude-os.

Dr. Francisco J. S. do Amaral
Consultor Científico – Halitfree
www.halitfree.com.br